CINEMA: Assassinato no Expresso do Oriente

“Assassinato no Expresso do Oriente” (Murder On The Orient Express) é a mais nova adaptação da obra homônima da Rainha do Crime Agatha Christie, dessa vez dirigida por Kenneth Branagh que também atua no longa como o nosso querido detetive Hercule Poirot.

Na trama, o famoso detetive Hercule Poirot (Kenneth Branagh) embarca no grande Expresso do Oriente para então tirar suas merecidas férias após resolver mais um grande e complicado caso, porém seus planos são frustrados quando um assassinato ocorre dentro da composição, que é impedida de seguir viagem devido a uma tempestade de neve, e ele é o único ali que pode solucionar esse crime e descobrir quem é o assassino antes que mais alguém acabe morrendo.

A fotografia dessa nova versão de Assassinato No Expresso do Oriente é simplesmente fantástica, beirando o mágico. Toda a atmosfera do filme é muito bem criada e filmada, há cenas que são um verdadeiro espetáculo visual (vide cena de abertura) e há certa inventividade na hora de filmar os personagens e construir a dinâmica do filme, que ocorre quase que completamente nos corredores apertados de uma composição de luxo.

Na medida que o filme apresentava os personagens, escutei vários cochichos de NOSSA OLHA, ESSE ATOR, ESSA ATRIZ e os cochichos são válidos, uma vez que a escalação de atores do filme é excelente, embora nem todos os personagens tenham tempo suficiente em tela.

Há aqui doses de humor pontuais que não estragam os momentos de tensão, é apenas um respiro muito bem dosado e necessário, além disso o filme é muito estiloso tecnicamente, a coisa toda é bem bonita!

Houveram boas mudanças aqui, com toda a certeza não seria um filme tão interessante se passássemos todo o tempo assistindo ao detetive interrogando os personagens em uma cabine, como acontece no livro. Para isso, fez-se a opção por acrescentar ação e foi uma boa opção que serviu para adaptar esse momento para as telas, porém, há cenas de ação aqui totalmente desnecessárias.

Eu fiquei bem feliz pelo filme ter atenuado uma característica muito presente e que me irritou na obra original, o fato dos personagens serem bem estereotipados e com certas características beirando a xenofobia, o que até entendo no contexto da época que a obra foi escrita, mas não só deixaria de fazer sentido nessa adaptação como seria bem desconfortável se considerarmos o mundo como está hoje em dia. Isso não quer dizer que tudo foi retirado, sobrou uns 10% aceitáveis e que até fazem sentido com o nosso tempo.

O filme é repleto de diálogos e o telespectador precisa estar atento a cada detalhe se quiser desvendar o crime antes da hora, há quem vá considerar a adaptação cansativa ou até confusa por conta dos diálogos, eu particularmente fiquei bem feliz com essa característica. A resolução do crime não é novidade alguma para quem já leu a obra, porém há algumas enas extras no final que são excelentes e emocionantes, tinha gente chorando na sessão.

“Assassinato no Expresso do Oriente” é uma adaptação divertida, cheia de estilo, diálogos interessantes, um clima de mistério crescente e envolvente que te prende e te faz querer saber quem é o assassino e qual é a motivação para o crime (o que é essencial em filmes do gênero). É uma adaptação inspirada, bem atuada, bem dirigida e que pode vir a se tornar uma franquia digna dos trabalhos da Rainha do Crime, vocês estão preparados para “Morte no Nilo”?

Quantos cafés com barbitúrico Assassinato no Expresso do Oriente merece?

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