CINEMA: A Forma da Água

“A Forma da Água” (The Shape of Water) é o trigésimo segundo trabalho da filmografia do cineasta, diretor, roteirista e produtor mexicano Guillermo Del Toro, aqui ele assina a direção, produção e roteiro, ao lado de Vanessa Taylor, do longa que é o líder com treze indicações ao Oscar 2018, sendo indicado nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Atriz, Melhor Roteiro Original, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Design de Produção, Melhor Fotografia, Melhor Figurino, Melhor Edição, Melhor Mixagem de Som, Melhor Edição de Som e Melhor Trilha Sonora.

Na trama que se passa nos anos 60, Elisa Esposito (Sally Hawkins) é uma funcionária muda responsável pela limpeza em uma instalação de pesquisas secretas do governo e acaba desenvolvendo uma relação com uma criatura anfíbia que está sendo mantida prisioneira nessa instalação.

Elisa tem como únicos amigos sua colega de trabalho Zelda (Octavia Spencer), que em contraponto com a deficiência de Elisa, fala pelos cotovelos, e seu vizinho ilustrador Giles (Richard Jenkins) que vive fazendo certos sacrifícios por seu crush que trabalha em uma loja de tortas.

Esses dois amigos proporcionam diversos momentos hilários, praticamente todos os diálogos de Zelda com Elisa são de rolar de rir, porém as coisas não são pensadas apenas para que haja um alívio cômico no roteiro, preste atenção nas críticas por trás das piadas de Zelda, pois muito se fala aqui sobre preconceito, relacionamentos abusivos e machismo.

Não é novidade que Del Toro é mestre em criar criaturas, a criatura de “A Forma da Água” é simplesmente linda. Trazida da América do Sul, onde era adorada como um deus, a criatura  anfíbia foi criada a partir de efeitos práticos e maquiagem conciliados à efeitos especiais, mas nada disso seria tão mágico se não fosse todo o trabalho corporal desempenhado pelo ator Doug Jones.

A criatura é capturada por Richard Strickland (Michael Shannon), um agente problemático e cego em sua fome por poder que sempre coloca seus objetivos em primeiro plano em tudo em sua vida, com uma personalidade extremamente fria, egoísta, machista e até maníaca, o personagem é um grande vilão sem empatia por criaturas ou seres humanos.

Quando a paciência de Strickland se esgota e ele decide matar a criatura e dissecá-la para propósitos científicos, Elisa se vê desesperada para tirar a criatura de lá antes que o pior aconteça e para isso contará com seus amigos e o Dr. Robert Hoffstetler (Michael Stuhlbarg), que não é nada conivente com o desejo de Strickland de destruir a criatura, em um plano louco e desastrado para conseguir salvar essa criatura.

O romance entre Elisa e a criatura surge de forma natural, uma vez que ambos são personagens que sentem-se deslocados em seus ambientes devido as suas particularidades e é bem bonito ver que Del Toro decidiu manter sua fábula do jeito que ela tinha que ser, se submetendo a algumas convenções do gênero, mas não completamente, se negando a fazer com que sua criatura se transforme em um príncipe ao ser beijado pela “princesa”, aqui há um belo grito de: Ser diferente não é um problema, o problema são as pessoas que não sabem lidar com diferenças.

A fotografia do longa não pode ser classificada de uma outra forma além de linda. Houve uma opção pela predominância de uma paleta de cores aquáticas, por isso, há muito verde e azul na fotografia, com algumas interferências de cores mais quentes em momentos pontuais onde o espírito da personagem pede por cores mais acolhedoras. As cenas nas quais os personagens estão submersos são simplesmente oníricas e o design de produção do longa é fantástico e impressionante no nível de detalhes. A trilha sonora só soma aos outros aspectos do longa, tornando a obra carregada de uma aura onírica bem característica de produções do cineasta.

“A Forma da Água” é uma declaração de amor ao cinema, aos monstros, ao amor e as diferenças onde Del Toro se mostra seguro e maduro em suas decisões artísticas, não é a toa que o filme é o líder de indicações ao Oscar. Com essa aura onírica, essas criticas bem pontuadas à sociedade dos anos 60 e à nossa sociedade atual, pois infelizmente pouco evoluímos em certos aspectos, esse amor incondicional que surge de forma natural e arrebatadora, esse é sem dúvida um dos meus filmes favoritos do diretor!

Quantos cafés “A Forma da Água” merece?

Confira também as impressões da Jeniffer Geraldine, minha parceira de maratona do Oscar 2018, lá no Geraldas!

4 comentários sobre “CINEMA: A Forma da Água

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