SETEMBRO POLICIAL: AMERICAN CRIME STORY – The People v. O.J. Simpson

“American Crime Story” é uma série policial antológica, onde cada temporada é baseada em um caso criminal real, a primeira temporada “The People v. O.J. Simpson” foi desenvolvida por Scott Alexander e Larry Karaszewski, que são os produtores-executivos em conjunto com Ryan Murphy, Nina Jacobson, Brad Simpson e Brad Falchuk. Você pode estar pensando que já ouviu esse nome de série por aí, acontece que a série é um dos diversos projetos de Ryan Murphy e Brad Falchuk, pais de “American Horror Story”.

Em sua primeira temporada, a série apresenta o julgamento da acusação de assassinato sofrida por O.J. Simpson, tendo como base o livro de Jeffrey Toobin “The Run of His Life: The People v. O.J. Simpson.”, a recepção da primeira temporada foi tão boa que a série chegou a vencer o Emmy (Oscar das séries) em cinco categorias.

Na noite de 12 de junho de 1994, o departamento de polícia de Los Angeles recebeu um chamado, um homem e uma mulher haviam sido assassinados. Apesar do homem ser desconhecido, a mulher era ninguém menos que Nicole Brown, a ex-esposa do astro do futebol O.J. Simpson.

Durante o atendimento ao chamado e a tentativa fracassada dos policiais de entrar em contato com O.J. (Cuba Gooding Jr.) para comunicá-lo sobre a morte da ex-parceira e colocar os filhos do casal sob seus cuidados enquanto prosseguiam com as investigações, são encontrados vestígios que apontam o próprio como principal suspeito do crime, esse seria o começo de um julgamento que entraria para a história dos Estados Unidos, não só por tratar-se de uma personalidade midiática, mas também por abordar questões como incompetência policial, judiciária e o racismo impregnado em cada canto da nação.

Ao ser confrontado pela polícia e com sua prisão preventiva decretada, O.J. decide fugir, causando uma perseguição e gerando ainda mais barulho na mídia, tendo até sua perseguição sendo transmitida ao vivo pela televisão. A fuga foi acima de tudo motivada pelo desespero de se ver como suspeito principal pela morte de sua ex-esposa e ter diversas evidências que apontam para a sua condenação, contudo, surpreendentemente seus fãs e outras pessoas movidas por escândalos raciais recentes cometidos pela polícia passam a apoiar O.J. e transformam a questão em uma outra coisa, uma guerra contra os frequentes abusos da polícia dos Estados Unidos contra imigrantes e negros.

O.J. acaba se entregando a polícia e aos poucos seu time de defesa vai sendo formado, inicialmente mais por pessoas interessadas nos créditos que poderiam ganhar representando um caso tão grande do que por qualquer outra coisa. A questão da imagem de O.J. passa a confundir e deturpar todo o processo do julgamento, tornando-o quase um espetáculo de vaidades, reviravoltas e surpresas desagradáveis.

A acusação formada por Macia Clark (Sarah Paulson) e Christopher Darden (Sterling K. Brown) precisa se contorcer e desviar dos ataques e manobras da defesa e sempre lembrar a todos do que realmente está sendo colocado em questão ali, uma mulher que já havia sofrido ameaças e agressões do ex-marido, todas devidamente reportadas à polícia e que ainda assim acabou sendo assassinada. A promotoria reúne um incontável número de evidências que poderiam garantir a prisão de O.J., considerada por muitos como simplesmente uma questão de tempo. Porém, as manobras da defesa e a manipulação de uma massa já indignada pelos constantes abusos e questões sociais, tornam o trabalho de Marcia e Christopher um verdadeiro inferno.

Assim como o juri, o telespectador também é manipulado e confundido pelas artimanhas da defesa e da promotoria, sempre tornando difícil saber se O.J. é ou não culpado pelo crime cujo qual está sendo julgado.

A personalidade de O.J. não é das melhores e é impossível se comover com suas atuações, essa frieza emocional confere a ele uma instantânea aura de culpa e essa certeza que ronda a cabeça do telespectador até o final. Apesar do plot central ser o julgamento de O.J., os crimes que são desvendados durante as investigações e trazidos á tona conforme defesa e promotoria se digladiam, são ainda mais estarrecedores  que o caso central e toda essa podridão tem seu ápice nos dois últimos incríveis episódios da primeira temporada.

A série foi dirigida de forma dramática, as câmeras sempre com muitos movimentos, cortes rápidos, closes que captam as emoções dos personagens. As atuações são absolutamente incríveis, todos os atores e atrizes brilharam ali e a decisão de explorar os dramas pessoais de cada uma daquelas pessoas foi não só acertada, como necessária, para que pudéssemos ver os aspecto humano naquelas feras lutando durante as sessões no tribunal.

Um exemplo claro disso é o sexto, e na minha opinião o melhor, episódio da série “Marcia, Marcia, Marcia”, onde conhecemos os dramas pessoais de Marcia Clark e os reflexos do julgamento e da mídia em sua vida pessoal, essa série não teria a metade da qualidade que tem se não fosse pela interpretação incrível de Sarah Paulson no papel da promotora objetiva, durona e perspicaz.

“American Crime Story: The People v O.J. Simpson” é uma baita temporada de estreia para uma série que, se julgarmos pela primeira temporada, têm tudo para tornar-se uma das melhores séries do gênero. Ao dramatizar fatos históricos, além de entreter, a série faz o papel de educar, contextualizar e nessa temporada especifica expor problemas que aconteciam no passado e infelizmente persistem até os dias de hoje, pois, infelizmente ainda não estamos livres da truculência policial, do racismo, da marginalização daqueles que são considerados fora do padrão e do abuso de poder e aparente intangibilidade daqueles que possuem mais recursos.

Quantos cafés a primeira temporada e “American Crime Story” merece?

2 comentários sobre “SETEMBRO POLICIAL: AMERICAN CRIME STORY – The People v. O.J. Simpson

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