MÊS DO HORROR: HORROR NA COLINA DE DARRINGTON – MARCUS BARCELOS

“Horror na colina de Darrington” é uma história de suspense e terror sobrenatural escrita pelo autor carioca Marcus Barcelos. Desde os seus dez anos de idade, Marcus já escrevia e demonstrava amor pela literatura, suas principais influências são autores que eu particularmente amo, tais como: meu favorito de todos os tempos Stephen King e minha descoberta mais recente H.P. Lovecraft.

Inicialmente publicado na plataforma Wattpad, que inclusive concedeu ao autor o título de um dos embaixadores no Brasil, essa história fez tanto sucesso entre os leitores que acabou sendo publicada inicialmente pela editora Novo Século e posteriormente ganhou uma edição definitiva pela Faro Editorial (2016). Esse ano, o autor lançou “Dança da Escuridão”, também pela Faro, que trata-se de uma continuação do primeiro livro e encerra a duologia de Benjamin Francis Simons.

Narrada em forma de relato, em primeira pessoa, conhecemos a história de Benjamin Francis Simons, atualmente um interno no sanatório do condado de Brorough. Ben, apesar de relutante e traumatizado, decide nos contar os acontecimentos que ocorreram na casa da Colina de Darrington onze anos atrás, acontecimentos que o levaram à compôr a lista de residentes do sanatório e a lista de inimigos públicos pela população de uma cidadezinha localizada ao sul de South Hampton, New Hampshire.

Ben nunca conheceu seus pais, a única família que por muito tempo tomou para si foram os residentes do orfanato no qual foi criado. Misteriosamente, um dia um homem chegou ao orfanato se apresentando como um parente e à partir de então, Ben passou a sentir-se parte de uma família de verdade.

Em 2004, Romeo estava desesperado, ele precisava cuidar de Carlinha, sua filha mais nova, e também de sua esposa acamada após sofrer um AVC, também precisava trabalhar em dois empregos para sustentar a família e não queria incomodar sua filha mais velha, Amanda,  que estava fazendo faculdade longe dali. Foi então que Romeo viu em seu sobrinho a solução para os seus problemas.

Ben foi convidado por seu tio Romeo à passar um tempo em sua casa na Colina de Darrington para cuidar de Carlinha e sua esposa, ele aceitou a oferta, despediu-se de seus companheiros de orfanato e de seu emprego em um bar, o rapaz finalmente poderia ter o que sempre desejou, um ambiente familiar de verdade.

Porém, não tardou para que descobrisse que a paz que achou que iria encontrar ali era ilusória. Em uma manhã, o jovem de dezessete anos encontra sua priminha sentada observando uma das vigas da casa, aparentemente conversando com alguém que Ben não conseguia ver, até que seus olhos se abrem e contemplam a imagem de uma mulher sufocando enforcada na viga da casa na Colina de Darrington.

— E como é a moça? O que ela está fazendo?

— Ela está de vestido e fazendo caras engraçadas! — A Carlinha riu. — Assim, ó!. — E tornou a imitar as caretas.

Como meu sono era ainda forte demais para continuar dando atenção, apenas sorri e voltei a andar. Foi quando ela disse algo em um tom triste que me fez estacar congelado no primeiro degrau:

— Mas as tranças da moça estão enroladas no pescoço dela…

Esse seria apenas o primeiro acontecimento estranho que presenciaria naquela casa, aparições misteriosas começam a surgir uma atrás da outra, Ben decide ligar para seu tio e descobrir um pouco acerca do passado da casa, mas ele desconversa e pede para que o rapaz não vá ao porão, não leia os escritos da tia e que se esconda e proteja Carlinha até que ele chegue. Porém, a escuridão está se aproximando e Ben terá que tomar ações rápidas e impensáveis se quiser manter sua vida e a de sua prima intactas.

Idealizado como uma história curta de terror sobrenatural ao estilo pulp, o autor optou por privilegiar a ação ao enredo, dessa forma, sua escrita aqui é um tanto quanto cinematográfica e as ilustrações de Thomaz Magno servem como um ótimo recurso para reforçar essa ideia, enquanto a inserção de documentos no meio da narrativa contribuem para aprofundar ou explicar coisas que não são esclarecidas na narrativa principal, com a utilização desse recurso, o leitor sempre se vê um passo à frente dos personagens, conhecendo fatos que vão fazer diferença nos acontecimentos futuros da trama, o que eu particularmente gostei bastante.

O fato do autor dar maior atenção à ação em detrimento de descrições, contribuem para deixar o ritmo do livro extremamente ágil, eu fiz a leitura em poucas horas e me vi preso na narrativa, querendo saber o que estava acontecendo de verdade naquela casa e o que teria provocado um trauma tão profundo e a internação de Ben em um sanatório. Felizmente todas as respostas chegam rápido e há boas surpresas quanto ao mistério que permeia a casa, eu comecei a leitura crente de que estava lendo um livro de casa assombrada e me surpreendi ao perceber que o buraco era bem mais embaixo, se é que você me entende.

Essa opção por privilegiar a ação talvez não agrade todos os leitores, principalmente aqueles que gostam de uma história com mais detalhes e com fatos mais aprofundados. Apesar de preferir obras assim, eu não tive problema algum na leitura de “Horror na colina de Darrington” pois seria muita besteira encrencar com um livro cuja proposta é justamente ser algo mais voltado à cenas e que a origem é intrinsecamente ligada à histórias curtas que são publicadas na internet e por isso, precisam ser breves e intensas para fisgar o público alvo e mantê-lo interessado ao ponto de aguardar o próximo capitulo ser divulgado e descobrir o que acontecerá na trama.

Falando um pouco sobre referências, eu gostei bastante do autor ter citado a cidade de Derry e também de algumas referências e até mesmo de alguns clichês ligados à tramas que envolvem casas mal assombradas, a ambição do tio Romeo me lembrou um pouco do marido de Rosemary, por exemplo, “O Bebê de Rosemary”, contudo, não sei se é uma referência do autor mesmo.

“Horror na Colina e Darrington” é um livro curto de escrita fluída e gostosa de acompanhar, você não percebe o tempo passar enquanto lê. Há reviravoltas interessantes, todas as propostas gráficas de imersão propostas pelo autor funcionam e a edição publicada pela Faro está super caprichada, é sempre bom ver editoras dando atenção devida e merecida aos trabalhos nacionais. Eu me surpreendi bastante com a mudança de tom e de ameaça durante a leitura e após concluir o relato de Ben e descobrir as circunstâncias que o levaram até o sanatório, estou imensamente curioso para conferir o “Dança da Escuridão” e descobrir o que acontecerá depois.

Aproveitando a resenha, está rolando um sorteio dos dois livros lá no Instagram do blog, não vai perder né?

Quantos cafés “Horror na Colina de Darrington” merece?

6 comentários sobre “MÊS DO HORROR: HORROR NA COLINA DE DARRINGTON – MARCUS BARCELOS

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