SÉRIE: AMERICAN HORROR STORY – APOCALYPSE

“Apocalypse” é o subtítulo da oitava temporada da série “American Horror Story”, que surgiu como uma série antológica e aos poucos foi ganhando conexões entre suas temporadas, construindo o universo criado por Ryan Murphy e Brad Falchuk. Nessa nova temporada, os criadores decidiram deixar claro que as temporadas estão mesmo conectadas e a revelação foi feita com a divulgação de que a oitava temporada seria um crossover entre a primeira “Murder House” e a terceira temporada da série “Coven”.

Confesso que não recebi muito bem a notícia de que teríamos um crossover de “Murder House” com “Coven” simplesmente pelo fato de que a primeira é uma das minhas temporadas favoritas da série e a terceira é definitivamente a pior temporada, mas já que ninguém iria ouvir meus gritos de POR FAVOR NÃO FAÇAM ISSO, decidi conferir o que a mente de Murphy decidiu aprontar e bem…eu não estava totalmente errado.

A oitava temporada se inicia em meio ao apocalipse, acompanhamos pessoas reagindo aos noticiários que informam o lançamento de bombas nucleares e que não há como evitar o eminente desastre e extinção da raça humana. Enquanto a população corre ensandecida procurando abrigo, pessoas privilegiadas são recolhidas por uma organização secreta, a Cooperativa, e encaminhadas à refúgios subterrâneos.

Wilhelmina Venable (Sarah Paulson) é a responsável pelo Out post 3, um dos refúgios que no passado foi uma escola de formação para bruxos, os Warlocks, e administra o lugar com mãos de ferro, criando suas próprias regras e punindo os infratores com a morte, até que ela recebe a visita do misterioso Michael Langdon (Cody Fern) que chega com a notícia de que o Out post 3 não é mais seguro e que ele veio com a missão de selecionar pessoas dignas para migrarem para o Santuário, os não selecionados serão abandonados à própria sorte.

Sendo assim, Michael Langdon começa seus testes para identificar entre os residentes do Out post 3, pessoas dignas de serem salvas, aplicando testes bem duvidosos e revelando aos poucos sua verdadeira identidade, Langdon é na verdade o Anti-Cristo, personagem que vimos nascer em “Murder House”. Enquanto aplica seus testes inescrupulosos, Cordelia (Sarah Paulson) a bruxa suprema, chega ao Out post 3 com uma parte de seu Coven para acabar com os planos de Langdon.

Essa primeira linha narrativa que se passa no presente, aparece em no máximo três episódios, sendo os demais responsáveis por mostrar os eventos que precederam o apocalipse, o surgimento do Anticristo, a associação dele com os Warlocks e os planos de Cordelia para derrotar o mal maior que colocaria em risco não só a existência do seu Coven, mas a do mundo.

Pontos Positivos:

Eu gostei bastante da forma com a qual os episódios foram construídos, mostrando inicialmente o presente, para depois nos apresentar as ações que levaram ao apocalipse e por fim voltar ao presente e desenhar o futuro da série.

É impossível não dizer que a oitava temporada foi um grande fan-service, tivemos o retorno de Jessica Lange, encerramentos para pontas soltas de algumas tramas das duas temporadas anteriores e Sarah Paulson dando um show de interpretação fazendo novamente diversas personagens, embora algumas não fossem tão interessantes, a Venable foi um desperdício gigante de potencial, não posso deixar de mencionar a interpretação da maravilhosa Frances Conroy como Myrtle Snow, de longe a melhor personagem da temporada. O casting dessa temporada foi simplesmente perfeito, todos os personagens possuem um momento para brilhar em cena e Cody Fern é uma das adições mais legais para o elenco da série desde Finn Wittrock e seu mimado e louco Dandy.

A direção está excelente, a fotografia é maravilhosa, o design de produção impecável e as cenas mais brutais, violentas e sanguinolentas ficaram ótimas. A prometida conexão entre as temporadas, surpreendentemente, funciona de forma orgânica e faz muito sentido com o que a temporada propõe em seu roteiro, expandindo o universo criado por Murphy e abrindo novas possibilidades.

Pontos Negativos:

Um problema constante na série é a inconstância na qualidade do roteiro, há temporadas cujas quais o roteiro é simplesmente impecável do começo ao fim, há temporadas em que se comete um deslize do meio para o final e há temporadas nas quais o telespectador simplesmente não entende onde Murphy estava com a cabeça. “Apocalypse” é uma junção de alguns desses problemas, sendo eles: o deslize no roteiro, que aqui acontece na reta final, a expectativa dos fãs e a anulação de tudo o que tínhamos visto e gostado na temporada com apenas uma única cena final que não só poderia, como deveria ter ficado de fora do corte final da season finale.

A quebra de expectativa é compreensível e eu até gosto, mas o que Murphy fez no último episódio é imperdoável, depois de acariciar os fãs com coisas que pediam há bastante tempo, o roteiro dá um soco no nariz e deixa atordoado aquele que antes estava com um sorriso no rosto e um coração confortado. Quando se cria uma temporada com o subtítulo de apocalipse, imagens de divulgação extremamente pesadas e uma promessa de crossover entre temporadas queridas pelos fãs, o mínimo que deveríamos sentir ao assistir aos episódios seria um senso de ameaça, cara, estamos falando do fim do mundo, do fucking anticristo e muitas das vezes os episódios são carregados com um humor que nem sempre funciona, ou com diálogos que parecem terem saído de Fanfics, o núcleo da Cooperativa criando robôs é a coisa mais ridícula que já vi no universo da série.

Outra coisa bem problemática que tem relação com a anulação que citei acima, é as consequências da viagem no tempo que tivemos no último episódio, praticamente todos os episódios dessa temporada foram apagados por essa viagem e houveram diversas interferências nas outras temporadas devido à essa brincadeira, algumas boas, outras nem tanto. Para finalizar o meu desgosto com essa temporada, eu ainda não consigo imaginar onde estavam com a cabeça ao escrever uma season finale com uma luta entre bruxas e o anticristo onde as BRUXAS usaram armas mortais para se defender e atacar, ao invés de usar MAGIA!

“American Horror Story: Apocalypse” acerta na proposta de conectar “Murder House” com “Coven”, adiciona personagens interessantes ao universo da série e fecha o ciclo de algumas tramas que ficaram inacabadas nas temporadas anteriores, mas peca no roteiro, se perde em encontrar um gênero para desenvolver a trama e estraga toda a experiência com um plot-twist questionável na season finale. Sem dúvidas essa foi uma temporada sustentada em fan-service e na excelente atuação do elenco, se não fosse por ele o material beiraria o inassistível. Ryan Murphy, você deveria ter escutado meu grito!

Quantos cafés a oitava temporada de “American Horror Story” merece?

2 comentários sobre “SÉRIE: AMERICAN HORROR STORY – APOCALYPSE

  1. Rodrigo disse:

    Desde Freakshow abandonei AHS. Murphy tem ótimas ideias e não sabe executá-las. Isso desde Glee. Também odeio a temporada Coven e vi algumas cenas da oitava porque meu namorado assiste. Amo a Frances Conroy desde A sete palmos. Eu costumo brincar que a .melhor parte de AHS é sempre a abertura 😂😂😂

    Curtido por 1 pessoa

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