CINEMA: AQUAMAN

“Aquaman” é a mais nova empreitada do universo cinematográfico da DC Comics, dessa vez com a surpreendente e improvável direção de James Wan, diretor que é reconhecido pelos seus trabalhos em filmes de terror e suspense, tais como: “Invocação do Mal”, “Jogos Mortais” e o mais recente “A Freira”.

Logo em uma das primeiras cenas, James Wan deixa claro que o gênero do terror está intrinsecamente ligado ao seu trabalho ao exibir na telona um exemplar de “O Horror em Dunwich” de ninguém menos que H.P. Lovecraft, um nome bem conhecido na indústria, uma vez que diversas de suas obras e criaturas já serviram de inspiração para autores, diretores e até mesmo designers de jogos. Em “Aquaman” não é diferente, Wan se utiliza do design de monstruosas criaturas lovecraftianas para compor os seres abissais de seu filme.

Apesar de estar fora de sua zona de conforto, ao assistir o longa é impossível não notar que ele possui a mão de Wan na direção, desde os movimentos de câmera característicos que viajam pela cena e tornam a ação interessante, envolvente e imersiva onde a câmera transita pelas cenas de ação de forma orgânica proporcionando momentos como um plano sequência da batalha final que é de encher os olhos, até o design de produção que é extremamente criativo efetivo.

Na trama, Arthur Curry (Jason Mamoa) descobre ser o herdeiro do reino submerso de Atlantis, e precisa assumir a liderança de seu povo para unir os Atlantis e o reino da superfície, antes que o seu irmão Orm (Patrick Wilson) se torne mestre dos mares e destrua a superfície. Porém, a tarefa não será fácil, pois nem o reino, nem seu irmão estão confortáveis em aceitar a liderança vinda de um bastardo que conhece mais sobre a vida na superfície do que o seu próprio reino.

O ódio de Orm pelo povo da superfície é bem justificável, embora não muito explorado. Por anos o ser humano polui os mares e destruiu a vida marinha e por consequência o lar dos Atlantis, enquanto estes se mantiveram afastados da superfície desde que Atlântida foi submersa. Isso aliado ao fato de que sua mãe Atlanna (Nicole Kidman) foi sacrificada por trair seu povo e ter um filho com um ser da superfície, faz com que Orm odeie a raça humana e principalmente o notório Aquaman, fruto do relacionamento que condenou Atlanna ao sacrifício aos seres do fosso.

Arthur Curry vive a vida conforme suas próprias regras, usa seus poderes para fazer atos de heroismo esporadicamente e cuida do pai que se mantem à espera do retorno de Atlanna. Sua vida é bruscamente impactada com as primeiras consequências da revolta de Orm e a princesa Mera (Amber Heard) surge para guiar seu caminho, tentando fazer com que ele perceba sua importância para a paz entre os dois povos.

É Mera quem movimenta a trama, quem guia Arthur e quem nos apresenta a mitologia de Atlantis. Arthur faz o papel de telespectador, descobrindo aos poucos como seu reino de direito funciona e essa decisão foi bem acertada, assim como a de apresentar a estória do herói em flashbacks, construindo assim o personagem sem cair muito nos clichês das histórias de origem de filmes do gênero. Embora Mera tenha um papel importante, uma personalidade incrível e poderes muito legais, a atuação de Amber Heard não é das melhores aqui e acaba por nivelar por baixo o potencial da personagem.

Orm não é o único problema com o qual Arthur precisa se preocupar, um erro do passado reaparece para atrapalhar sua busca e também para inserir um elemento necessário para a jornada e formação do herói. Manta (Yahya Absul-Mateen II) é o vilão que o desafia na superfície, motivado por uma omissão de Arthur, infelizmente aqui ele sobra um pouco na estória, mas pode vir a ser um vilão potencialmente interessante no futuro.

Com um tom assumidamente brega, sem ter medo de ser brega e até de fazer piada com a cafonice com a qual o personagem foi estigmatizado por muito tempo, “Aquaman” é certamente o filme mais diferente visto até então no currículo pouco estruturado e atrativo do universo cinematográfico da DC Comics, parece que a produtora finalmente conseguiu entender que dar liberdade aos diretores para brincar com seus preciosos brinquedos pode ser mais divertido do que simplesmente bater os pés na birra de só emprestar caso se comprometam a brincar da forma que eles julgam ser correta.

“Aquaman” é um filme divertido, com uma estética maravilhosa e um trabalho de direção que é, sem dúvidas, o ponto mais qualitativo do longa, ouso dizer que se não fosse pela direção, o filme não teria muito no que se sustentar, uma vez que as atuações não chegam a ser necessariamente marcantes ou brilhantes, é tudo muito ok. Resta ao público torcer para que a produtora continue dando liberdade aos diretores e roteiristas e consiga finalmente entregar os filmes de qualidade que os fãs tanto querem e merecem ter depois de tantas decepções.

Quantos cafés “Aquaman” merece?

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