MAIO SCI-FI: MATÉRIA ESCURA – BLAKE CROUCH

“Matéria Escura” é o décimo segundo romance publicado pelo autor americano Blake Crouch e a segunda obra do autor publicada no Brasil, o livro foi lançado por aqui pela Intrínseca em uma edição em capa dura em 2017 com tradução de Alexandre Raposo.

Lembro que, na época do lançamento, via bastante gente falando sobre o livro, mas era tanta gente que eu cheguei a pegar um pouco de ranço do hype e nem fui atrás de saber do que se tratava. Ano passado comprei o livro em alguma promoção na internet e deixei ele guardado, porém, com o #MaioScifi, decidi tirar da estante e dar uma chance e, após concluir a leitura, ficou fácil entender o barulho que fizeram em cima dessa obra lá em 2017.

Jason e Daniela formavam um casal promissor. Ele um jovem cientista que havia acabado de conseguir financiamento para sua pesquisa que, com toda a certeza, lhe renderia vários prêmios e uma descoberta gigantesca, enquanto Daniela seguia um caminho de ascensão na arte, sendo cada vez mais reconhecida por seu trabalho. Tudo mudou quando Charlie, o filho do casal, nasceu. Complicações no parto e nos primeiros meses de vida fizeram os dois mudarem de planos e focarem nos cuidados do filho, assim o tempo passou, Jason perdeu o financiamento de sua pesquisa e passou a dar aulas para sustentar a família, enquanto Daniela interrompeu sua carreira pra ser mãe em tempo integral e prestar os cuidados dos quais o filho necessitava.

É claro que vez ou outra, o casal se pegava pensando nas oportunidades que perderam, Daniela via suas colegas de profissão prosperarem, construírem suas carreiras com grandes exposições em galerias de arte gigantes, enquanto Jason via seu melhor amigo, em uma atitude bem abusiva, esfregar em sua cara a oportunidade perdida. Porém, esses momentos de arrependimento não chegavam a durar muito, mesmo tendo aberto mão de suas carreiras, Jason e Daniela formavam um casal de sucesso, embora de forma diferente do que esperavam,  formavam uma família feliz e comum vivendo em Chicago. Bem, não por muito tempo…

Jason é sequestrado por um estranho que lhe agride e administra uma droga que leva o professor universitário à inconsciência. Quando acorda, ele se vê em uma espécie de instalação científica, onde todos festejam o seu retorno e se mostram ansiosos para saber o que ocorreu durante o período que Jason passou fora, o problema e que Jason não se lembra dessas pessoas e quando tenta fugir dessa instalação e procurar pela família, se depara com uma casa que já não é mais um lar.

Isso é tudo que eu posso falar sobre a trama em si, qualquer ou detalhe poderia estragar a sua experiência de leitura e eu não quero isso, quero que você tenha a mesma experiência que eu tive de se surpreender a cada página, de não conseguir deixar o livro de lado e de se apaixonar pelos personagens. Se você tem problemas com livros de ficção científica por conterem uma linguagem mais técnica e de difícil assimilação, pode se aventurar nesse romance de Blake Crouch sem medo, o autor consegue passar para o leitor a teoria científica necessária para compreensão da trama de forma bem natural e simples, tudo isso sem também julgar a capacidade do leitor por baixo.

O que mais me tocou na obra foi toda a questão familiar que ela aborda, este é um romance que fala muito sobre as decisões que tomamos em nossas vidas e como essas decisões nos transformam e definem, aborda a família de uma forma muito verossímil, simples e que bate no coração como poucas histórias conseguem fazer, eu me peguei desejando que o livro não acabasse nunca, porém, ao chegar à conclusão da trama, não poderia ter ficado mais satisfeito com o desfecho que o autor encontrou para toda a loucura incrível que desenvolveu. Ah, esse livro possui passagens incríveis que  fique me coçando pra colocar na resenha, mas não o fiz, pois entregaria certos detalhes da trama que não quero dar em respeito à obra e também a você, mas digo que aqui há uma definição sobre o amor que é uma das melhores definições que já encontrei na vida.

“Matéria Escura” foi uma leitura que me surpreendeu muito por misturar tão bem a tecnologia com os sentimentos e as relações de amor que estabelecemos durante as nossas vidas, relações e sentimentos que nos fazem desviar de planos, construir pontes, pegar o caminho mais longo, dispensar atalhos, que vão nos transformar e nos ensinar o que é um lar de verdade, o que é a felicidade de verdade e que na maioria das vezes aquilo que consideramos ou que os outros consideram um fracasso, pode se revelar na verdade nosso maior sucesso. Blake Crouch, obrigado!

Gostou da resenha? Você pode adquirir “Matéria Escura” pelo link do blog na Amazon.

Quantos cafés “Matéria Escura” merece?

10 comentários sobre “MAIO SCI-FI: MATÉRIA ESCURA – BLAKE CROUCH

  1. Rodrigo disse:

    Esse café tava forte e certeiro. No início eu achei que ele estava meio perdido, mas depois li o livro de uma noite pra outra, tamanha a velocidade que a narrativa nos impõe. Ótimas reflexões, ficção sem ficar atada aos nomes científicos, um desfecho estupendo e mais uma ótima indicação do Luke…

    Curtido por 1 pessoa

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