CINEMA: X-MEN – FÊNIX NEGRA

“X-Men: Fênix Nega” é o último capítulo da quadrilogia iniciada em “First Class” (2011) e tinha a promessa de adaptar a saga da Fênix de forma mais decente do que ocorreu em “O Confronto Final” (2006), onde a saga foi reduzida à uma subtrama. Com direção e roteiro de Simon Kinberg, iniciante em direção e com extensa experiência em produção, o longa estreou na última quinta-feira.

Eu sou um grande fã dos X-Men, a equipe de mutantes rejeitados pelos humanos, pessoas diferentes encontrando refúgio e descobrindo um novo significado para a família em uma sociedade preconceituosa, foram os personagens dos quadrinhos que mais tive contato durante a minha infância e adolescência. Quando vejo qualquer imagem da animação “X-Men: Evolution”, imediatamente sou preenchido por uma sensação boa, um sentimento de nostalgia que nenhuma das adaptações cinematográficas conseguiram emular até o momento, mesmo que alguns episódios tenham chegado bem perto disso como “X-Men 2” e “Primeira Classe”.

Essa segunda trilogia, ou quadrilogia dos mutantes no cinema, conseguiu em alguns momentos se aproximar dessa sensação que eu tinha quando lia alguma HQ dos mutantes, mas eram apenas lampejos disso, a essência dos mutantes vistas nas telonas sempre foi demasiadamente diluída, sem mencionar a grande bagunça de linha temporal.

Nesse novo e derradeiro capítulo, com certa tristeza espero que os mutantes tirem uma longa folga as telonas, temos novamente a repetição de alguns problemas, a falta de consideração com o que foi estabelecido previamente, a subutilização de personagens essenciais e interessantes, e o pior de tudo, a falta de peso dos acontecimentos do filme, você não se importa que a Jean Grey esteja sofrendo, que as pessoas estejam sendo mortas, nada tem o impacto que poderia ter se os mutantes tivessem sido trabalhados corretamente.

Dezenove anos depois os eventos de “Apocalypse”, os mutantes tornaram-se sensação, tendo até mesmo um canal de comunicação direta com o presidente dos EUA. Inebriado pela sensação e com o ego extremamente inflado, o Professor Charles Xavier (James McAvoy) passa a enviar seus estudantes para missões cada vez mais arriscadas, despertando a cautela de seus discípulos mais antigos e fieis, principalmente em Raven (Jennifer Lawrence), personagem que mais se distanciou de sua essência nessa segunda trilogia. Quando uma aparente explosão solar condena a tripulação de uma missão espacial, os X-Men são imediatamente incumbidos de uma missão para salvar a tripulação, porém, a explosão se revela algo desconhecido, uma energia cósmica é sugada por Jean Grey (Sophie Turner), que passa a desenvolver poderes incríveis. Sim, eles esqueceram que já havia introduzido a entidade Fênix lá no finalzinho de “Apocalypse”.

Após o incidente, as barreiras de contenção criadas pelo Professor X na mente de Jean Grey são obliteradas e revoltada com os segredos escondidos de seu passado, Jean abandona os X-Men em busca da verdade, para então entender o motivo pelo qual muros foram construídos. Em mais uma de suas tentativas de resgatar a aluna, o Professor X convoca os X-Men para uma missão, porém, Jean não consegue controlar seus novos poderes e acaba em apenas um único gesto destruindo toda a confiança conquistada pela população e dividindo a família que até então fazia parte.

Perdida, Jean Grey encontra em ALERTA DE VILÃ GENÉRICA E DESCARTÁVEL Vuk (Jessica Chastain) alguém que não pretende construir muros para cercear seus poderes. Porém, Vuk não é uma benfeitora, trata-se de uma alienígena com planos para conquistar um novo lar para substituir aquele que lhe foi tirado.

Ao assistir “Fênix Negra”, a impressão que me deu é de que o projeto não foi planejado exatamente na forma que foi apresentado ao público, é de conhecimento geral que o projeto passou por diversas refilmagens e chegou até mesmo a ser adiado por conta disso e algo me diz que muita coisa se perdeu nessa reformulação, me parece que o projeto não estava planejado para ser apenas um filme.

O primeiro ato do longa é muito bom! As cenas espaciais são inspiradas, a tensão entre o grupo e o Professor X é excelente e dá uma faceta nova para um personagem que é sempre tão sensato, comedido e justo, a integração do grupo na missão espacial é ótima e a cena da Jean absorvendo a energia cósmica é poderosa, mas tudo isso se perde no segundo ato, muito por conta dessa ameaça alienígena extremamente desnecessária. Eu não acredito que o longa precisaria de mais uma ameaça, eu gostaria que esse longa tivesse focado apenas na relação dos personagens e no draga de ver um integrante querido da família se tornando uma bomba atômica descontrolada, mas infelizmente e novamente, não foi o caso.

Esse segundo ato é um desserviço para o primeiro, pois personagens são simplesmente descartados, o Mercúrio (Evan Peters) que sempre rendeu cenas excelentes foi simplesmente jogado de lado, as habilidades de liderança do Scott (Tye Sheridan) é mais uma vez menosprezada pelos roteiristas e olha que há uma excelente oportunidade de utilizar isso nesse filme hein, a Tempestade (Alexandra Shipp) consegue ser muito melhor do que já foi, mas ainda assim trabalha com seu potencial e papel subestimados e reduzidos na trama, a Selene (Kota Eberhardt) é introduzida de maneira porca e vergonhosa, o que é uma pena, pois a escalação de atores e atrizes me agrada muito nessa nova versão, assim, toda a empolgação do primeiro ato acabem murchando tanto que o terceiro ato mais energético não consegue encher novamente.

Sophie Turner consegue entregar uma boa atuação mesmo com um roteiro ruim, assim como os outros personagens que tiveram alguma relevância para o roteiro, com exceção de uma atriz que mais parecia estar cansada de representar aquele personagem. Os pontos altos do longa são as cenas que envolvem os mutantes em ação, o que nunca deixou de ser bom nos filmes dos mutantes, basta lembrar-se das cenas de ação do pior filme da franquia até então (você sabe de qual eu estou falando), utilizando seus poderes individualmente ou em equipe, sem dúvidas eu vibrei nesses raros momentos durante o longa, a interação entre os membros dos X-Men funciona e isso dói bastante, tendo em vista que ainda não conseguiram entender do que os X-Men se tratam. As questões familiares, a importância da união entre eles chega à ser citada diversas vezes pelo roteiro, mas são só palavras, você não vê, você também não sente.

“X-Men: Fênix Negra” é a conclusão de uma segunda fase dos mutantes nos cinemas que começou muito bem em “First Class”, precisou apresentar ao público algumas explicações e dar um reboot na linha temporal em um interessante “Dias de Um Futuro Esquecido” e frustrou novamente todas as expectativas em um pouco inspirado, genérico e esquecível “Apocalypse”. Só o tempo dirá onde Fênix Negra se encaixará nesse espectro, porém se eu pudesse dar um palpite, encaixaria o longa como protocolar.

Quantos cafés “X-Men: Fênix Negra” merece?

Um comentário sobre “CINEMA: X-MEN – FÊNIX NEGRA

  1. RODRIGO LUCAS disse:

    Amo X-MEN mas detesto essa bagunça nós cinemas. Claramente JLaw deve odiar a cor azul e uma Mística que começou forte acabou cagando no maiô. Quem sabe se derem uma 10 anos de descanso eles não voltam da maneira correta.

    Curtido por 1 pessoa

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