LIVRO: TORTURAS DE AMOR – CONTOS DE AUTORES NORDESTINOS BASEADOS EM CLÁSSICOS DA MÚSICA BREGA

“Torturas de Amor” é uma coletânea de contos escritos por autores nordestinos baseados em clássicos da música brega, a coletânea foi organizada por Bruno Gaudêncio, lançada este ano pela Editora Penalux, e conta com textos de Adrienne Myrtes, André Balaio, Astier Basílio, Bráulio Tavares, Bruno Azevêdo, Débora Ferraz, Joana Belarmino, Kátia Borges, Ricardo Kelmer, Roberto Menezes, Tiago Germano, Vanessa Trajano e uma apresentação do organizador.

Esta é uma coletânea de narrativas curtas dedicadas a um estilo musical que até hoje é sinônimo de mau gosto. Para compor a obra, o organizador reuniu quinze ficcionistas nascidos nos nove estados do Nordeste e canções cujas composições se pautam no melodramático e em frustrações e abandonos amorosos, temas recorrentes no estilo musical brega.

“Eu vou tirar você desse lugar” de Odair José, “Fuscão Preto” de Almir Rogério, “A Beleza da Rosa” de José Ribeiro, “Se meu amor não chegar” de Carlos André, “Garçom” de Reginaldo Rossi, “Tortura de Amor”, que dá nome à coletânea, e “Eu não sou cachorro não” de Waldick Soriano, “A Cruz que Carrego” de Everaldo Braga, “Você é doida demais” de Lindomar Castilho, “Eu não sou brinquedo” de Genival Santos, “Impossível acreditar que perdi você” de Márcio Greyck e “Entre Espumas” de Roberto Muller foram as canções escolhidas para serem reinterpretadas pelos ficcionistas.

Como ocorre em qualquer coletânea de narrativas curtas, alguns textos sempre se sobressaem à outros e como estamos falando aqui de doze contos, não falarei individualmente de cada um para que o texto não se torne muito extenso, citarei três dos contos que mais me chamaram atenção, mas já garanto de antemão que a leitura de todos os contos foi prazerosa.

“Paula Klee não cure Odair” é o conto escrito por Adrienne Myrtes, que abre os trabalhos da coletânea e se baseia na canção “Eu vou tirar você desse lugar” para contar a história de um homem que se apaixona por uma puta e começa a lutar com todas as suas armas para ter sucesso profissional e conseguir “comprar” a liberdade da moça. Talvez as coisas tivessem dado mais certo para o rapaz se ele tivesse consultado a garota antes. Esta foi uma ótima escolha para abrir o livro, pois retrata muito bem o tom tragicômico que permeia a obra como um todo.

“Fuscão Preto” de André Balaio, que adapta a canção homônima de Almir Rogério, foi um dos contos que eu mais gostei na coletânea. A história acompanha um rapaz que sempre foi o típico bom-moço e, portanto, sempre passado para trás por outras pessoas, em especial um garoto que o assombra desde a infância. Da bicicleta, passando pela motocicleta, até chegar no fusca preto, o agora homem é mais uma vez passado para trás, só que dessa vez será a última. Eu descreveria esse conto como um “Christine, o carro assassino” do brega.

“O Brinquedo” de Ricardo Kelmer, baseado na canção “Eu não sou brinquedo não” é um roteiro que eu vejo facilmente em um episódio de Black Mirror! Quando jovem, Gilson certa vez espiou a prima de sua mãe trocando de roupa, foi flagrado pela mulher mais velha e passou a ser uma espécie de serviçal da mulher, com medo que ela revelasse seu deslize para a mãe. Daiane era essa mulher, explorava o medo do filho de sua prima e levava homens para dentro de casa para satisfazer suas necessidades sexuais enquanto sua prima estava fora. Quando esses desejos eram satisfeitos, aproveitava a situação para instigar a sexualidade do jovem e quando do dia pra noite ela desapareceu da casa do rapaz, os estragos psicológicos já haviam sido plantados e com o tempo, os problemas dele cresceram. Já adulto, ele encontra na inteligência artificial de sua casa uma forma de desabafar sobre esses problemas para se ver livre deles, porém, não da forma que o leitor espera.

“Torturas de Amor” é uma coletânea divertida e de leitura rápida que me proporcionou a oportunidade de conhecer a escrita de autores e autoras nordestinas que eu ainda não conhecia, mas com toda a certeza vou buscar conhecer mais. As releituras das músicas ficaram muito interessantes e cada autor soube trazer a canção para o seu universo próprio, construindo textos diferentes, inesperados e de gêneros distintos.

Gostou das minhas impressões de “Torturas de Amor”? Você pode adquirir a obra na loja oficial da Editora Penalux.

Quantos cafés “Torturas de Amor” merece?

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