CINEMA: IT – CAPÍTULO DOIS

Vinte e sete anos após o primeiro encontro e batalha contra o aterrorizante Pennywise (Bill Skarsgard), o Clube dos Otários recebe um chamado para cumprir uma promessa que fizeram, regressar para Derry e derrotar a Coisa de uma vez por todas. Essa é a premissa simples da continuação do fenômeno de bilheterias de 2017, com direção de Andy Muschietti e roteiro de Gary Dauberman, a sequência adapta a conclusão de uma das obras mais icônicas do mestre do terror contemporâneo Stephen King.

Eu contei os dias para conseguir finalmente assistir a adaptação da segunda parte de “IT: A Coisa”, graças ao trabalho muito bem executado na primeira parte da adaptação. Eu sei que, inclusive já disse aqui, muitas vezes acabei me decepcionando com a minha própria expectativa sobre alguns longas (hello Torre Negra), mas não tem jeito, quando o assunto é adaptação de obras do King, o descontrole e a ansiedade são inevitáveis. Felizmente, dessa vez eu não sai decepcionado do cinema.

Quando assassinatos brutais voltam a acontecer em Derry e um dos maiores atos de violência se mostra uma provocação pessoal, Mike Hanlon (Isaiah Mustafa) se vê obrigado a cumprir a função que o manteve preso na cidadezinha do Maine nos últimos 27 anos. Um por um, Mike convoca novamente o Clube dos Otários, lá eles precisarão reviver memórias dolorosas e enfrentar uma perda terrível enquanto encontram forças para cumprir a promessa que fizeram.

Enquanto Ben Hanscom (Jay Ryan),  Beverly Marsh (Jessica Chastain), Bill Denbrough (James McAvoy), Eddie Kaspbrak (James Ransone) e Richie Tozier (Bill Hader) caminham por Derry para reviver lembranças que misteriosamente não estavam ali até receberem o chamado de Mike, Pennywise continua se alimentando e preparando armadilhas psicológicas para enfraquecer o Clube dos Otários que quase o matou 27 anos atrás. Além de suas vítimas e de toda a tortura psicológica que faz com que eles passem, o vilão conta novamente com a ajuda do atormentado Henry Bowers (Teach Grant), internado no sanatório Juniper Hill após eventos anteriores.

Perseguidos pelos traumas do passado, uma entidade sobrenatural e um psicopata, o Clube dos Otários vai descobrir que não há outra forma de enfrentar e derrotar esse mal senão enfrentando seus próprios demônios pessoais, é assim que Ben precisa lidar com sua solidão e seus sentimentos não correspondidos e não expressados, Bev precisa lidar com a constante presença de figuras masculinas tóxicas e abusivas em sua vida, Bill precisa se livrar da culpa pela morte do irmão, Eddie precisa superar suas fobias que o travam e Richie trava uma luta interna contra segredos que marcaram sua vida para sempre.

Eu fiquei muito surpreso com o desenvolvimento do Richie, sem dúvidas foi um dos pontos altos do longa e me fez chorar horrores durante o filme, assim que eu sai da sessão, depois do filme e agora quando tive que lembrar de certas coisas para escrever essa resenha. O que eu posso dizer é, observe o personagem com atenção.

O arco do Bill é um dos mais bem estruturados do longa e se encerra conforme o esperado, porém com a adição de algumas novidades quanto à culpa que ele carrega. A redenção do personagem foi muito interessante, assim como a redenção de Bev e Ben, embora tenham tido participações mais apagadas, o que não quer dizer que tenham sido participações ruins, há uma cena que envolve os dois que é absolutamente emocional, bonita e me fez temer pela vida de ambos. O Eddie e o Mike cumprem suas funções dentro da trama, sem muitos pontos altos, ou dignos de nota, embora também tenham cenas interessantes, principalmente algumas atitudes de Eddie.

Eu vi algumas pessoas na internet dizendo que o filme não assusta, bem, isso não serviu muito pra mim, me assustei bem mais nesse do que na primeira parte da adaptação, a trilha sonora contribui muito bem para isso e Bill Skarsgard está aterrador na pele do palhaço diabólico. Há também algumas pessoas reclamando do ritmo, longa duração e do fato dos personagens terem se espalhado durante o segundo ato, isso também não fez muito sentido pra mim, no material original os personagens também se separam e eu não me senti cansado durante a exibição do filme, pelo contrário, eu queria mais.

As soluções encontradas pelo roteiro para tornar a adaptação viável, uma vez que a conclusão do material fonte é uma viagem cósmica muito louca, foram muito bem executadas e tornou a conclusão palatável tanto para quem não conhece, quanto para os fãs da obra. Há diversas referências que os fãs vão amar, pelo menos eu amei e vibrei muito com os easter eggs e participações AAAAA, e que foram colocadas de forma que não vão estragar a experiência de quem não conhece tanto sobre as obras do mestre.

Como já devo ter deixado claro, sou fã declarado e orgulhoso das obras do Stephen King, até cometi a loucura de reler o calhamaço para ter as memórias da obra mais frescas e aproveitar melhor essa segunda parte. Durante a releitura, haviam duas cenas que eu gostaria que estivessem no filme, uma pelo seu fator épico e representativo para a história e outra para mostrar ao público a vertente da maldade humana que, diversas vezes durante esta e diversas obras do autor, é ainda mais assustadora do que qualquer criatura sobrenatural.

Eu queria muito ver a história do Adrian sendo contada no filme, porém, não gostei da forma com a qual ela foi contextualizada dentro do longa, simplesmente por ela não ter sido contextualizada, foi uma cena jogada e não teria problema algum se o assunto abordado fosse tão relevante e causasse um desconforto horroroso para quem sofre com o medo advindo de uma sociedade preconceituosa. Eu entendo o fator choque, eu entendo o que o diretor quis mostrar com a cena e tenho certeza que ele vai atingir quem ele quis, silenciar os risinhos e chacotas quando o casal se beija mostrando logo depois uma ação brutal motivada pelo ódio, tenho certeza que muita gente vai acabar sendo sufocada pelo riso anterior, mas será que esse sufocamento é válido quando a cena afeta de maneira tremenda uma comunidade que vive sob constante ataque? Creio que não.

“It: Capítulo Dois” encerra a saga do Clube dos Otários contra o palhaço assassino Pennywise de forma satisfatória, tornando-se pelo menos para mim, em conjunto, uma das melhores adaptações de um trabalho do autor para os cinemas. É claro que nem tudo é perfeito, mas quem disse que adaptar um livro do porte de A Coisa” é uma tarefa simples? O diferencial nesse trabalho foi Andy Muschietti, por compreender a obra, desempenhar um ótimo trabalho de direção e entregar para os fãs e amantes do gênero uma obra construída com amor, afeto e bons litros de sangue.

Quantos cafés “It: Capítulo Dois” merece?

3 comentários sobre “CINEMA: IT – CAPÍTULO DOIS

  1. RODRIGO LUCAS disse:

    Finalmente vi o filme e adorei. As pessoas se frustram com ele por esperar um terror no estilo A invocação do mal, sendo que It é uma história de passagem da infância para a idade adulta e depois sobre como superar traumas do passado. A carga emocional do filme é infinitamente maior que o medo. Qual a outra cena você queria ver? Projeto futuro é reler It e ver os filmes em seguida.

    Curtido por 1 pessoa

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