SETEMBRO POLICIAL: O BOM FILHO – YOU-JEONG JEONG

“O Bom Filho” é um thriller psicológico escrito pela autora sul coreana You-Jeong Jeong. Frequentemente comparada ao autor Stephen King, a autora é um destaque da literatura de suspense na Coreia do Sul. Apesar de já ter publicado quatro romances, essa é a primeira obra da autora lançada no país com tradução de Jae Hyung Woo, inicialmente pela TAG – Experiências Literárias para os assinantes do plano Tag Inéditos e, recentemente, pela Editora Paralela.

Na trama, o jovem Yu-jin acorda certa manhã com um estranho cheiro metálico e uma ligação do irmão. Descendo as escadas do duplex onde vive com a mãe na Coreia do Sul, ele a encontra morta sobre uma poça de sangue no chão. Mas Yu-jin só tem uma vagas lembranças da noite anterior. Durante três dias, em uma busca incessante para desvendar o crime, ele acaba descobrindo segredos sobre si.

Eu tinha um talento nato para criar verossimilhança, embora minha mãe costumasse dar um nome diferente àquela perícia: “mentir”.

Yu-jin era um jovem nadador com um futuro promissor, porém, viu sua carreira sendo interrompida ao ter ataques constantes de epilepsia. Os remédios que controlam suas crises cobram um peço alto em seu corpo, energia e vitalidade, assim ele precisa dar adeus ao seu sonho de tornar-se um esportista.

Mesmo sendo controlado de perto pela mãe, Yu-jin consegue dar escapulidas noturnas para correr e se exercitar, ação que sua mãe condenaria veementemente, tendo em mente as chances do filho ter um ataque no meio da rua, durante a noite e sozinho.

Diante da cena aterradora que encontra em casa, o jovem precisará buscar em suas vagas memórias as peças do quebra-cabeça para conseguir entender o que aconteceu com sua mãe e descobrir quem foi o assassino, tudo isso sozinho, pois não seria nada bom para ele que a polícia, ou seu irmão, encontrasse sua mãe brutalmente assassinada dentro de casa, sendo ele, o único presente no local. Ele tem a lembrança de tê-la ouvido chamar seu nome, porém, não está certo se ela pedia ajuda ou tentava salvar a própria vida.

Conforme investiga a cena do crime, ele acaba descobrindo fatos sobre si que lhe eram ocultados e ao abandonar de vez o uso dos remédios, sua mente vai tornando-se mais clara, ao mesmo tem que mais obscura, sua doença era mesmo a epilepsia?

Só havia uma interpretação possível: ele precisava tomar os remédios para não se tornar uma criatura perigosa.

Este não é um livro onde você precisa se esforçar muito para entender ou solucionar o crime, o que me deixou muito feliz, pois sou um péssimo detetive, o brilho nesta obra se encontra no personagem central e não no crime em si. Acompanhar Yu-jin tentando entender o que aconteceu naquela noite, revirando segredos que sua mãe ocultava e se permitindo, uma vez que as barreiras psicológicas e psicotrópicas caem, desvendar coisas sobre si mesmo que, até então, não conhecia, é simplesmente sensacional.

A escrita da autora e o fato dela entregar durante a narrativa fragmentos da verdade em doses homeopáticas, mesclar a realidade com imaginação ou alucinações do personagem, e colocá-lo sob constante estresse, com medo do irmão chegar e presenciar aquela cena monstruosa, com medo do cheiro do corpo da mãe alertar os vizinho e, por consequência, a polícia, faz com que a leitura dessa obra flua de forma quase que alucinante, pelo menos foi assim comigo, eu simplesmente devorei essa história.

Creio que a comparação de You-Jeong Jeong com o autor Stephen King, deixando bem claro aqui que detesto esse tipo de comparação, se revela verossímil em alguns aspectos como: a excelente construção de personagens, a parcimônia na construção da tensão e do mistério, cenas bem gráficas de violência e por fim, a demonstração da capacidade do homem ser o pior dos monstros.

“O Bom Filho” é um mergulho sombrio pelos piores recantos a mente perturbada de um rapaz que teve sua vida consumida e seus sonhos amputados pelo excesso de cuidado na tentativa de domar seus instintos mais primitivos. Esse foi o meu primeiro contato com uma obra sul-coreana e eu não poderia estar mais satisfeito, a escrita de You-Jeong Jeong é fascinante, os recursos narrativos utilizados por ela funcionaram muito bem, contribuindo para a construção de uma obra psicologicamente perturbadora, me deixando pasmo a cada nova descoberta. Editoras, publiquem mais livros da autora para ONTEM!

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Quantos cafés “O Bom Filho” merece?

3 comentários sobre “SETEMBRO POLICIAL: O BOM FILHO – YOU-JEONG JEONG

  1. RODRIGO LUCAS disse:

    A trama me lembrou demais de A garota no trem. Gosto desse estilo, mas não vou ler porque você já monopoliza minha lista de leituras 🤣🤣🤣

    Curtido por 1 pessoa

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