MÊS DO HORROR: PREDADORES ASSASSINOS

“Crawl” ou “Predadores Assassinos” é um suspense dramático do diretor Alexandre Aja, com roteiro de Michael e Shawn Rasmussen. O diretor é conhecido por filmes como “Espelhos do Medo” (2008) e “Piranhas 3D” (2010) e esses foram os motivos pelos quais fui ao cinema sem muitas expectativas para o longa e, não é que acabei me surpreendendo?

A premissa do longa é bem simples, Haley (Kaya Scodelario) é uma jovem nadadora que desde pequena é incentivada pelo pai à perseverar no esporte. Diante do divórcio recente, Dave (Barry Pepper) acabou se distanciando das filhas, Haley e Beth (Morfydd Clark), gerando certo ressentimento em Haley.

Quando Beth liga para o pai, para checar se ele está à salvo do furacão de categoria 5 que se aproxima do lugar onde ele vive, ela descobre que o pai não atende o telefone e decide pedir para Haley checar, uma vez que mora mais perto do pai.

Diante da preocupação da irmã e da falta de respostas do pai, Haley decide correr para a casa onde viveu sua infância para checar se está tudo bem, porém, chegando lá, encontra seu pai gravemente ferido no porão de casa e na tentativa de resgatar seu pai em meio à um furacão, Haley se vê presa em uma inundação e precisa lutar para salvar seu pai e a si mesma de crocodilos gigantes que acabaram sendo levados pelo rompimento de barreiras e enchentes.

Eu já perdi a conta de quantos filmes de desastres naturais já assisti, a maioria bem ruim, e de quantos filmes envolvendo animais gigantes comedores de gente também, em sua maioria igualmente ruins, então, o que poderia resultar da mistura desses dois clichês do gênero? Surpreendentemente, em um bom filme de sobrevivência, onde o foco está onde deve estar, nos personagens.

Haley não é uma garota indefesa, ela desafiou condições climáticas bizarras para resgatar um pai que lhe deu as costas recentemente, é uma atleta nata, persistente, obstinada e forte em mais de um aspecto. A força e persistência que foram incutidas nela pelo pai se provam necessárias e essenciais para que ela tente sair de uma situação aparentemente inescapável, lutando contra predadores assustados e um clima aterrorizante.

Pai e filha estão presos em uma casa com crocodilos gigantes e famintos, mas também estão presos no meio de um furacão em uma área evacuada, onde é praticamente impossível se contar com uma intervenção de socorro. Com essas condições, o diretor cria uma atmosfera verdadeiramente tensa, onde a todo momento vemos tentativas de fuga sendo frustradas e consequências cruéis e sanguinolentas acontecendo quando se dá um passo em falso. Essa noção de perigo contante vindo de todos os lados, as constantes frustrações de fuga e o passar do tempo que faz com que a casa fique cada vez mais debaixo d’água e por consequência delimita o lugar à salvo das criaturas, faz com que o telespectador se contorça na cadeira e roa as unhas torcendo por alguma intervenção divina.

Todos esses atributos não funcionariam se não fosse a atuação de Kaya, que convence muito bem no papel de mulher obstinada, perseverante, forte e independente, ciente de que tudo que precisa para se manter viva é de si mesma e de suas habilidades que são muito bem exploradas aqui.

O nado e a prática do esporte é um pedaço bem importante na trama e nas tentativas de sobrevivência e resgate da personagem, assim como também é um elo importante na relação com o pai, não é à toa que o filme em seu título original leva o nome de uma das modalidades mais básicas da natação, assimilando o nome também ao rastejar das criaturas terríveis que ameaçam a vida dos dois personagens centrais.

“Predadores Assassinos” é um filme que surpreende tanto fãs de filmes com animais gigantes comedores de gente, quanto filmes de desastres climáticos, pois diferente dos citados, essa produção se preocupa bem mais com o roteiro, a construção de seus personagens e uma história bem amarrada e conduzida, do que simplesmente destruição e muito CGI.

Quantos cafés “Predadores Assassinos” merece?

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