MÊS DO HORROR: N. – STEPHEN KING (CONTO E GRAPHIC NOVEL)

“N.” é um conto do autor Stephen King, que pode ser encontrado na antologia “Ao Cair da Noite” lançada pela Suma. O conto foi adaptado para os quadrinhos pelas mãos de Marc Guggenheim e Alex Maleev, lançado aqui no Brasil pela Darkside Books.

Na trama, escrita em forma de relato por meio dos documentos que o psiquiatra Johnny enviou para sua irmã, conhecemos o último estranho paciente que Johnny tratou. N. é um homem de 48 anos, sócio de uma empresa de contabilidade em Portland, divorciado, pai de duas filhas e acometido pelo transtorno obsessivo-compulsivo (TOC).

Eu estou perdido, mas acredito, ou melhor, espero não ter chegado ao nível de um homem se afogando, em pânico a ponto de estar disposto a puxar para baixo quem estiver tentando me salvar.

N. era um homem comum, que trabalhava com contabilidade durante a semana e tinha como hobby fotografar paisagens no final de semana. Foi em uma dessas suas incursões fotográficas que o contador acabou conhecendo Ackerman’s Field, um terreno que marcaria sua vida para sempre.

No centro desse terreno havia uma curiosa formação composta por oito pedras, sete pedras, oito pedras, sete pedras…e uma criatura terrível disposta à deixar o centro da formação, invadir a nossa realidade e devorar o nosso mundo. Sete era um número ruim, deixar Ackerman’s Field tendo como última visão a formação com apenas sete pedras seria um erro, com as lentes de sua câmera, N. descobre que a quantidade de pedras varia e algo lhe diz que deixar aquele lugar tendo como última visão oito pedras bastaria para impedir a criatura de escapar.

Foi desde então que N. passou a contar, contar sapatos pretos na ida para o almoço e sapatos marrons na volta, sempre finalizando em números pares, contar livros na estante de forma que eles nunca formassem uma quantidade impar e agrupar objetos em círculos, com essas ações ele acreditava que, de alguma forma, estava mantendo as coisas em equilíbrio, pelo menos até que sua intuição o levasse de volta para Ackerman’s Field para checar novamente as pedras, tornando-o uma espécie de guardião protetor de um portal inconstante.

Eu deveria ter gritado. Tinha todo o direito de gritar. Porque aquela coisa sabia meu nome. Aquela coisa grotesca, inominável sabia meu nome.

O conto é muito bem escrito e a opção por trazer essa história em forma de relatos contribui para tornar o mistério crível na medida do possível. Eu li o conto e a HQ no mesmo dia, há algumas diferenças na história, mas nenhuma alteração ruim, ao contrário do que costuma acontecer nas adaptações cinematográficas do autor.

Eu segui a leitura do conto extremamente tenso, pois o clima é muito misterioso, N. vai revelando de forma comedida os motivos pelos quais acredita sofrer do transtorno e o que o leva a crer que tudo está relacionado com a formação rochosa que tocou naquele terreno estranho. Enquanto ele narra, a minha curiosidade sobre o tal terreno e a criatura foi crescendo, assim como a curiosidade do psiquiatra e as consequências dessa curiosidade, tanto para o personagem, quanto para o leitor, chegam em forma de reviravoltas bem construídas, que amarram muito bem todas as pontas e te deixa um gosto de curiosidade, culpa e medo no final.

Especificadamente com o quadrinho, ilustrado e colorido maravilhosamente com traços foto realísticos, parece que o transtorno do personagem vaza às páginas para o próprio leitor, pois me vi em absolutamente todas as páginas que a formação rochosa aparece, contando as pedras e torcendo para que a soma final fossem oito. Apesar de muita gente dizer que a obra foi influenciada por H.P. Lovecraft,  dada sua escrita em forma de relato e sua criatura cósmica inominável, King atribuiu ao trabalho a influência da obra “O Grande Deus Pã” de Arthur Machen.

“N.” é uma história curta que consegue ter a profundidade que muitas histórias de terror recentes não possuem. Eu sempre fico feliz quando leio algum conto do autor, pois sei que ele é mais versado à escrever histórias longas, então, é sempre divertido descobrir o quanto ele consegue me assustar com menos páginas e aqui ele não só consegue assustar como espantar com um conceito de perturbação mental transmissível.

Quantos cafés “N.” merece?

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