CINEMA: O FAROL (THE LIGHTHOUSE)

“O Farol” é o mais novo trabalho do diretor e roteirista Robert Eggers, mais conhecido pelo controverso e maravilhoso “A Bruxa” de 2015. O filme conta com roteiro do próprio Eggers em parceria com Max Eggers, sendo estrelado por Willem Dafoe e Robert Pattinson. Na trama, dois faroleiros tentam manter a sanidade enquanto vivem em uma remota e misteriosa ilha da Nova Inglaterra no ano de 1890.

Ephraim Winslow (Robert Pattinson) é novato nesse tipo de trabalho, em certo momento do filme ele diz que estava acostumado a trabalhar em uma floresta, ambiente bem diferente de seu novo local de trabalho. Thomas Wake (Willem Dafoe) é um faroleiro experiente, que encontrou em Ephraim um substituto para o seu assistente anterior que, segundo Thomas, enlouqueceu e acabou se matando.

Ephraim não demora a perceber que seu empregador é de certa forma obcecado pelo farol e sobrecarrega o assistente com trabalhos braçais e insalubres para mantê-lo afastado do local. Ciente de que o trabalho possui um prazo pré-determinado, o assistente se empenha em suas funções, mas quando esse prazo se encerra e a embarcação que deveria buscá-los não aparece, as peculiaridades de seu empregador tornam-se mais curiosas, insuportáveis e instigantes.

Diante do silêncio ou das frases enigmáticas de Thomas, Ephraim decide investigar a situação, porém o ambiente afastado, a solidão, a noção se tempo embaralhada, desconfiança, bebida e o peso psicológico que o personagem carrega devido a uma lembrança do passado que pesa sobre os seus ombros, faz com que sua sanidade comece a ruir.

Filmado em preto e branco e com uma configuração de exibição diferente, que contribuí muito para uma sensação de claustrofobia, curiosidade e isolamento, o longa possuí referências e homenagens a elementos como a atmosfera, a loucura e as criaturas de H.P. Lovecraft, a síndrome da cabana que acometeu o famoso zelador do Hotel Overlook, inclusive há uma cena declaradamente inspirada na adaptação do Kubrick para essa obra incrível do Stephen King, homenagem ao filme “Os Pássaros” de Alfred Hitchcock e fortes influências de mitologia grega.

Ao misturar muito bem o realismo com o fantástico, o diretor confunde a mente do telespectador que se pergunta a todo momento se aquilo é tudo uma grande alucinação, uma representação do declínio da racionalidade, ou uma coisa muito estranha na água daquela ilha, que com toda certeza é água que passarinho não bebe.

As gaivotas são elementos muito importantes para a mitologia do longa, elas representam a alma de antigos faroleiros e homens do mar, portanto, elas devem ser respeitadas, como é alertado por Thomas a todo instante. Um outro elemento interessante é uma espécie de estatueta em formato de sereia que Ephraim encontra e acaba ficando obcecado, tendo visões incutidas por seu desejo e pelo longo período de abstinência, falando nisso, o roteiro não se amedronta ao insinuar uma relação homo afetiva entre os personagens que passam um período de tempo desconhecido, porém longo, na ilha.

Willem Dafoe e Robert Pattinson estão incríveis juntos, desde os seus diálogos até a mudança em suas fisicalidades e expressões conforme o tempo na ilha avança, essa é uma prova para quem ainda torce o nariz para Pattinson por conta do vampiro brilhante, que o tempo passou para o ator e lhe fez muito bem. Não me surpreenderia nenhum pouco ver um deles levando uma estatueta de melhor atuação, uma vez que levar um filme desses, que se passa em apenas uma locação, filmado em preto e branco e com todo um conceito não comercial, não é uma tarefa muito fácil.

“O Farol” é uma experiência cinematográfica incrível, mas é daqueles filmes que assim como “A Bruxa”, não vai agradar todo mundo. Mais uma vez o diretor e roteirista evita se explicar demais e deixa toda a interpretação, ou múltiplas interpretações possíveis na mão do público. Eu pretendo rever esse filme algumas vezes quando ele for disponibilizado em alguma plataforma de streaming, pois gosto bastante de assistir esses filmes com referências, elementos escondidos em diálogos e que te faz criar teorias, por falar nisso, quais são as suas? Deixe aqui nos comentários e vamos tentar entender essa loucura, ou sucumbir à ela, juntos!

Quantos cafés “O Farol” merece?

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