CINEMA: AVES DE RAPINA – ARLEQUINA E SUA FABULOSA EMANCIPAÇÃO

“Aves de Rapina: Arlequina e sua fabulosa emancipação” chegou aos cinemas na última quinta-feira, trazendo a única personagem interessante do terrível “Esquadrão Suicida” e uma equipe de mulheres que, assim como a ex-namorada do palhaço mais icônico da cultura pop, buscam emancipação de alguma forma.

Bem, antes de mais nada, preciso dizer que as minhas expectativas estavam bem baixas com relação ao filme, depois da presepada engana trouxa que foi o filme do esquadrão, sempre mantenho meus dois pés bem atrás em relação aos filmes da DC, os únicos fatores que me empolgaram a ver o longa no cinema foi o fato dele ser dirigido por uma mulher, no caso Cathy Yan, roteirizado por uma mulher, no caso Christina Hodson, e com atuações incríveis de várias mulheres chutando bolas de machos escrotos.

Após o fim de seu relacionamento com o Coringa, Arlequina (Margot Robbie) decide fazer uma declaração pública bem do seu jeitinho maluco sobre o fim do término para deixar bem claro que ela não precisa de um mestre e que é sim uma mulher independente, mesmo que para isso tenha que destruir a sua imunidade com os bandidos e a polícia de Gotham e passe a caminhar pelas ruas com um alvo nas costas.

Mas Arlequina não é a única mulher na cidade de Gotham procurando emancipação, a Detetive Renee Montoya (Rosie Perez) não aguenta mais ter homens levando créditos por suas ações e, também não suporta mais ser inferiorizada em seu ambiente de trabalho simplesmente pelo fato de ser uma mulher, afinal ela não estudou, batalhou e conseguiu chegar onde chegou para ser barrada pelo machismo, como diz sua camiseta emprestada pelos achados e perdidos: I shaved my balls for this?

Outra mulher que definitivamente não nasceu para ser um bibelô é Dinah Lance (Jurnee Smollett-Bell), a.k.a. Canário Negro, que apesar de transparecer o papel que executa, um passarinho que canta muito bem na gaiola dourada de Roman Sionis (Ewan McGregor), sabe muito bem se utilizar de sua posição para coletar informações importantes, além de chutar a cara de brutamontes com um estilo e sensualidade na medida certa, afinal, como eu disse anteriormente, esse filme é dirigido, roteirizado e produzido por mulheres e, quem costuma hiper sexualizar a imagem da mulher no cinema, são os homens.

Helena Bertinelli (Mary Elisabeth Winstead), a.k.a A Caçadora, é uma mulher determinada, focada e bem armada, pronta para derrubar um por um os homens que destruíram sua família em uma busca desenfreada por poder, a famosa síndrome do pau pequeno. O caminho de todas essas mulheres se cruzam quando a órfã e batedora de carteiras Cassandra Cain (Ella Jay Basco) acaba roubando um diamante encriptado com o segredo para uma fortuna que Sionis, o vilão temperamental e, de certa forma, controlado por seu capanga sádico Zsasz (Chris Messina), deseja para si.

Com a cabeça de Cain à prêmio, as mulheres se unem, Arlequina inicialmente pelos motivos errados, afinal estamos falando de uma das personagens mais malucas do universo DC, mas no final, todas elas entendem que o inimigo em comum é mais forte que qualquer diferença que elas possam ter. Daí em diante, sobra espaço para pernas quebradas, chutes na cara, nas bolas, narizes quebrados e até barbas de macho alfa (kkkkkk que termo ridículo) incineradas.

I want to report a crime

A montagem do filme não é cronológica, ela funciona da mesma forma que a cabeça da Arlequina, que narra a história e quebra a quarta parede algumas vezes, essa decisão foi bem acertada, mas infelizmente não tão bem executada, causando diversos furos, nada que prejudique demais a produção, mas poderiam ter lapidado melhor.

As cenas de ação estão ótimas e inventivas, bem coreografadas e rendem momentos que ficam na cabeça do telespectador. O uso de cores, tintas e confetes em uma das armas usadas por Arlequina, por exemplo, confere uma estética bem particular e única para as cenas de ação. A Canário Negro também possui cenas de luta ótimas, como a que acontece em um beco, quando tenta defender a Arlequina de dois brutamontes, das novas personagens foi a que eu mais gostei.

O filme é muito divertido, repleto de humor ácido e com um tom nonsense proposital que não soa exagerado por conta da presença da Arlequina, que por is só já é uma personagem bem extravagante. Eu dei muitas gargalhadas durante o filme e me vi vibrando pelas personagens toda vez que elas nocauteavam um homem, há bastante violência e sangue no filme. A trilha sonora também está ótima e casa muito bem com as cenas, além disso, as cenas finais que acontecem em uma espécie de funhouse possuem uma estética que me agrada muito.

“Aves de Rapina: Arlequina e sua fabulosa emancipação” não é um filme extraordinário, mas é uma produção divertida, com assuntos pertinentes, ótimas atuações e mulheres chutando bundas, o que mais você poderia pedir de um filme do gênero?

Quantos sanduíches de queijo perfeitos cafés “Aves de Rapina” merece?

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